21. Oct 2019 | Finanças

Como elaborar uma Demonstração de Resultados Mensais

A Demonstração de Resultados é um relatório que lhe permite obter detalhadamente uma visão global dos rendimentos ou proveitos, e os gastos ou custos de uma empresa. Normalmente, a demonstração dos resultados é feita anualmente, mas só tem a beneficiar se a sua empresa se mantiver um registo real do balanço financeiro, mensalmente. Neste artigo, revelamos-lhe como fazer uma demonstração mensal dos resultados do seu negócio e de que forma é que pode otimizar a execução desse mesmo relatório.

Como elaborar uma Demonstração de resultados mensais
A Demonstração de Resultados permite comparar a situação financeira do seu negócio em vários períodos diferentes. (© Pexels)

O que é uma Demonstração de Resultados?

Tal como o Balanço, a Demonstração de Resultados segue um formato padrão que as empresas têm de seguir e no qual estão mencionados os diversos rendimentos e gastos, conforme explicaremos mais à frente.

Na análise do lucro, é importante ter em mente os princípios contabilísticos associados à contabilização de rendimentos e gastos e perceber o que constitui um rendimento ou um gasto e em que momento se deve registar em cada uma das categorias.

  • Regime do acréscimo

É importante diferenciar o lucro e o influxo de dinheiro na empresa e, por esse motivo, muitas vezes o ganho líquido não corresponde exatamente ao valor disponível para utilização financeira. Também, uma empresa que tenha um balanço positivo em termos de lucro pode não ter um valor monetário a entrar em caixa. Isto verifica-se dado que os movimentos contabilísticos são registados no momento em que ocorrem, o que pode ser diferente da data efetiva de entrada ou saída de dinheiro da caixa.

Assim, ao efetuar a análise das vendas, o valor resultante da Demonstração de Resultados inclui as operações das vendas que a empresa faz, bem como as compras, ainda que as mesmas sejam na modalidade de crédito.

  • Equivalência entre rendimentos e gastos

Para que seja feita uma análise fidedigna, os rendimentos e os gastos têm que ser referentes ao mesmo intervalo de tempo quando inseridos na Demonstração de Resultados. Por exemplo, se comprar uma máquina para alocá-la à produção efetuada num conjunto de meses e se essa produção só vai começar em data futura, então essa aquisição não é considerada como um gasto do período em que a comprou. A máquina é classificada como um ativo até que a empresa comece a obter rendimentos fruto dessa produção.

  • Continuidade das operações

Deve-se fazer a apresentação dos resultados tendo em conta que as mais diversas operações vão continuar a ocorrer no futuro. Se a empresa perspetivar que vai encerrar as suas portas num futuro próximo, deve reportar essa situação e apresentar as suas Demonstrações Financeiras tendo em conta essa previsão.

  • Comparabilidade

É benéfico que consiga comparara facilmente as operações financeiras afetas a vários períodos diferentes. Para os analistas e investidores, este aspeto é crucial dado que permite um profundo conhecimento do estado da empresa ao longo do tempo.

Como fazer a Demonstração de Resultados Mensais do seu negócio?

Existem um conjunto de rubricas que devem contar na sua Demonstração de Resultados Mensais. Para que possa perceber a importância de cada uma delas e que movimentos alocar, partilhamos uma lista com as respetivas definições:

  • Serviços prestados e vendas de produtos: corresponde aos serviços prestados, quando intangíveis, após retirar o valor do IVA ou outros impostos sobre o consumo; esta rúbrica diz também respeito aos valores das vendas, caso sejam produtos tangíveis;
  • Subsídios destinados à exploração: correspondem aos valores relativos a subsídios concedidos pelo Estado à exploração;
  • Ganhos ou perdas atribuídos de subsidiárias ou projectos conjuntos: estes são valores que se referem a rendimentos e ganhos de participações de capital fruto de empresas relacionadas, demonstradas em relatório;
  • Variação nos registos da produção: representa os valores afetos à produção produzida internamente, sendo o rendimento o resultado da diefença entre o registo de produção inicial e final;
  • Trabalhos para a própria empresa: estes são valores afetos à construção de ativos fixos tangíveis pela própria entidade empresarial, aos quais se subtraem os gastos inerentes à produção;
  • Custo das matérias consumidas e mercadorias vendidas: valor gasto relacionado com o processo de produção dos bens e serviços vendidos;
  • Fornecimentos e serviços externos: gastos com aprovisionamentos e serviços externos que incluem a eletricidade dos prédios ou instalações, serviços subcontratados como seguros, rendas, viagens e estadias, entre outros;
  • Gastos com o pessoal: esta rúbrica refere-se aos gastos efetuados com salários, pagamentos efetuados à Segurança Social a cargo da empresa, prémios e qualquer outro tipo de encargos relacionados com a capacidade de trabalho;
  • Imparidade de inventários: valor despendido com a imparidade ou afeto à desvalorização de um ativo;
  • Imparidade de dívidas a receber: refere-se a ativos com valores em dívida a receber (geralmente resultam de operações de venda a crédito);
  • Provisões: passivos cujo valor ou oportunidades são incertas;
  • Imparidade de investimentos não depreciáveis ou amortizáveis: quando se espera uma diminuição significativa dos benefícios futuros para a economia da empresa ou quando um ativo não está sujeito a diminuições de preço ou amortizações;
  • Aumentos/reduções de justo valor: alguns ativos calculados ao longo do tempo tendo em conta as regras contabilísticas, quando os ganhos são descritos em aumentos e as perdas de capital são registados como reduções;
  • Outros ganhos e rendimentos: outro tipo de ganhos e rendimentos não incluídos nas rubricas anteriores;
  • Outras perdas e gastos: outras perdas e gastos não considerados nos pontos descritos anteriormente.

Após todos os valores inseridos nestas rubricas, apresenta-se um primeiro subtotal, que representa a EBITDA (Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization), que mede o fluxo operacional de caixa a as suas margens. Depois, prossegue-se com o preenchimento das seguintes categorias:

  • Gastos/reversões de depreciação e amortização: valores ativos não correntes que sofram algum tipo de desvalorização com o decorrer do tempo;
  • Imparidade de investimentos depreciáveis/amortizáveis: imparidades dos ativos sujeitos a deperecimento.

Para efetuar uma nova apresentação do resultado operacional (antes dos gastos de financiamento e impostos) faz-se um novo subtotal, que representa a EBIT (Earnings Before Interest and Taxes), e segue-se o preenchimento das restantes rúbricas:

  • Juros e rendimentos similares obtidos: rendimentos acrescidos de juros de aplicações financeiras;
  • Juros e gastos similares suportados: gastos com juros associados passivos financeiros e outros;
  • Resultado antes dos impostos: a totalidade dos rendimentos e despesas de um determinado período, exceto os impostos diretamente afetos aos lucros da empresa;
  • Imposto sobre o rendimento do período: valor do IRC por período;
  • Resultado líquido do período: lucro líquido do período depois de subtraídos todos os gastos aos rendimentos.

Como um software de faturação pode ajudar?

À primeira vista, fazer uma Demonstração de Resultados pode parecer complicado, quer pelas rubricas a inserir, com como pela forma como se efetuam os cálculos. Por esse motivo, é importante que faça esta demonstração dos resultados mensais através de uma tabela de Excel ou com recurso a um software de faturação. Assim, uma vez que cada movimento fica registado, apenas terá que exportar os dados de que necessita ou gerar relatórios na plataforma em questão, poupando tempo e minimizando erros humanos na altura de efetuar os cálculos.

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