02. Jul 2019 | Finanças

Guia de gestão financeira para trabalhadores independentes

Sabemos que ser trabalhador independente não é fácil. Principalmente, devido aos inúmeros encargos legais e fiscais que estes trabalhadores se veem obrigados a cumprir. Se procura uma solução para poupar e fazer face a estas despesas, este artigo é para si. Fique a conhecer 5 dicas para poupar e tornar a gestão financeira mais fácil.

Guia de gestão financeira para trabalhadores independentes
Independentemente do valor que recebe ao final do mês, a situação laboral do trabalhador independente implica uma gestão minuciosa do seu rendimento mensal (imagem © Unsplash).

As novas regras a partir do início do ano de 2019 determinam que as declarações de rendimento são, agora, feitas de três em três meses, a taxa contributiva baixou, registaram-se mudanças na base de incidência e o prazo de vencimento é mais curto.

As despesas são mais do que muitas, mas os desafios continuam a ser os mesmos: fazer uma boa gestão do seu orçamento financeiro. Mas, se acha que não consegue poupar como trabalhador independente, fique atento. Há inúmeras técnicas de poupança que o vão ajudar a ter uma melhor gestão mensal.

Além do valor que recebe ao final do mês, a situação laboral do trabalhador independente implica uma gestão meticulosa do seu rendimento mensal. Mas, como gerir um orçamento com despesas fixas tendo um rendimento variável? É exequível cumprir com o pagamento dos impostos e, mesmo assim, fazer poupanças?

Para estas questões não há uma resposta exata, mas é certo que os trabalhadores independentes podem executar uma correta gestão dos rendimentos e viver sem grandes dificuldades económicas. Prevenção e controlo são as palavras chave.

1. Perceba o seu orçamento mensal e controle os gastos

Saber controlar as despesas de forma pormenorizada, é fundamental para conseguir eliminar com as despesas desnecessárias, sem pôr em risco a sua saúde financeira e o seu bem-estar. Como fazê-lo?

A resposta é mais fácil do que imagina: calcule e faça a distinção dos gastos mensais, fixos e variáveis. Dentro das diversas categorias pode gerar subcategorias que o vão auxiliar a criar um mapa mental que, por sua vez, o vai ajudar a analisar de forma simples e eficaz todos os gastos mensais. A partir dessa altura conseguirá confrontar as despesas com as receitas e saber onde pode poupar. Esta gestão familiar é crucial para o seu sucesso a longo prazo. Organize as suas contas e faça uma gestão correta das suas finanças.

Se não consegue fazer esse exercício mental, ajuda se o fizer num documento Excel, dada a versatilidade na hora de elaborar relatórios. Se as suas despesas forem muito variáveis, pode ainda efetuar o registo das mesmas, catalogando-as e registando-as mês a mês. Dessa forma é possível saber exatamente o que gastou mensalmente e anualmente e melhorar a sua capacidade de gestão após a análise dos resultados obtidos.

2. Faça a correta gestão das suas obrigações: pague os seus impostos

Esta é uma das mais relevantes dicas de economia para quem trabalha como trabalhador independente. Nem sempre é simples cumprir com os prazos e os valores das obrigações fiscais para com a Segurança Social. O melhor é criar uma forma de poupança mensal, deixando de lado o montante necessário, ou parte dele, para cumprir com os seus deveres sem qualquer inconveniente.

As multas e demoras nos respetivos pagamentos podem ser altas e, por isso, esteja sempre com atenção aos prazos. Se não o fizer irá colocar em risco a sua estimativa mensal e terá encargos necessários.

Por isso, recomendamos-lhe que ative alertas no seu smartphone ou tome nota na sua agenda das datas mais importantes para que cumpra com as suas obrigações.

3. Aposte numa conta poupança

Conforme já referimos, nem sempre é fácil fazer uma boa gestão financeira quando se tem um rendimento variável. Mas saiba que além do valor que recebe todos os meses, é possível economizar. A nossa proposta é que siga a regra dos 50-30-20: 50% do salário para os gastos básicos, 30% do rendimento para despesas variáveis e 20% para uma poupança mensal fixa. Nem sempre é fácil cumprir com esta proporção, mas é bem melhor poupar algum valor do que nenhum. Por isso, tenha essa regra em mente.

Se não lhe der jeito ter uma conta poupança, para juntar o valor necessário à liquidação das suas despesas, aconselhamos que tenha uma conta bancária pessoal e outra afeta ao seu negócio, quer tenha ou não contabilidade organizada. Deste modo, é possível transferir para outra conta o valor remanescente, aquando do fecho do mês. Separar o que sobra a cada mês ajuda, não só a poupar, bem como a prever eventuais imprevistos.

Os imprevistos não acontecem só aos outros e, no caso dos trabalhadores independentes, a conta poupança ou uma conta à ordem separada pode ajudar a cumprir com as obrigações fiscais em meses em que os rendimentos são mais baixos. E depois, há que contar também com os imprevistos decorrentes da sua vida pessoal e que podem implicar também despesas adicionais. Previna-se!

4. Crie um fundo de emergência

O fundo de emergência é imprescindível para todos aqueles que querem economizar ao final do mês, mas acima de tudo para os trabalhadores independentes que têm rendimentos inconstantes ao longo de todo o ano.

O fundo de emergência é um montante que é colocado de parte, com vista a protegê-lo no caso de qualquer situação inesperada, como podem ser as questões de doença, as despesas inesperadas ou o tão assustador desemprego. Já existem entidade bancárias que possuem soluções de investimento justamente para esse fim. São aplicações financeiras de risco reduzido, em que poderá descontar um determinado valor mensal que lhe é debitado mensalmente. Depois, em caso de necessidade, poderá efetuar um resgate antecipado do capital disponível, sem ter grandes perdas financeiras associadas.

Os especialistas em finanças definem o montante do fundo de emergência como tendo por base o valor do salário ou das despesas mensais, qualificando este fundo num intervalo de três a 12 meses. Ou seja, fundo de emergência deve ser, pelo menos, três salários ou o total de três meses de despesas fixas (água, gás, eletricidade, entre outros). Embora a resolução ideal passe pela conceção de um fundo que reflita a seis salários ou seis meses de despesas fixas. Este é, então, o interregno de referência para assegurar a resolução de situações imprevistas e que o podem deixar numa situação desconfortável.

5. Poupar? Sempre!

A gestão do orçamento económico familiar obriga a uma devoção constante. Na prática, deverá adotar um novo estilo de vida para conseguir cumprir com todas estas metas, procurando “esquecer” que esse fundo de emergência existe, na gestão do seu dia-a-dia.

Deverá prestar atenção aos seus gastos supérfluos e cortar sempre naquilo que não é tão necessário, adotando um estilo de vida um pouco mais regrado, mas que lhe proporcionará um maior conforto em momentos de eventual crise.

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